domingo, 27 de novembro de 2016

Queijo à chef: A arte andou à solta na Casa da Ínsua

Notícia DÃO E DEMO
A arte andou à solta na Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo. Falamos da arte de bem cozinhar queijo Serra da Estrela, por chefes de cozinha consagrados. Da arte de bem servir, em pratos Vista Alegre. Da arte de bem aconselhar os vinhos do Dão para acompanhar os pratos em degustação. Da arte de bem organizar um evento de referência na promoção de produtos da nossa região. Da arte de bem receber, tão característica dos penalvenses.
Tratou-se de mais uma organização do evento “Queijo Serra da Estrela à Chef”, uma iniciativa da CIM Viseu Dão Lafões, em parceria com a Câmara de Penalva do Castelo e com a Visabeira e que contou com o apoio do Crédito Agrícola do Vale do Dão e do Alto Vouga e que se realizou neste sábado, dia 26 de novembro.
Os sabores foram os mais diversificados, sempre com a presença do queijo Serra da Estrela. Um “amuse-bouche” proposto pelo chef Paulo Cardoso, a abrir, composto por um dueto de maçã e presunto em esfera, areia de azeitona e queijo Serra da Estrela Casa da Ínsua; uma entrada proposta pelo chef Vítor Matos (Estrela Michelin), composta por ravioli queijo Serra da Estrela com manteiga das marinhas e salva, trombetas da morte, folhas de capuchinha e flores; uma sopa proposta pelo chef Fernando Agrasar (Estrela Michelin), composta de peixe assado com nhoques de queijo Serra da Estrela; um marisco proposto pelo chef Rui Silvestre (Estrela Michelin) composta de ostra do moinho dos Ilhéus, agrião e queijo Serra da Estrela; um prato de peixe proposto pela chef Marlene Vieira, composto de bacalhau frito, consommé de cebola, couve de bruxelas e soufflé com queijo Serra da Estrela; um prato de carne proposto pelo chef André Silva (Estrela Michelin) composto por vitela com queijo Serra da Estrela, raiz de cerefólio, alcachofras, foi egras e cogumelos; uma sobremesa proposta pelo chef Luca Arguelles, composta por finger de alperce, queijo Serra da Estrela e sopa de eucalipto; e um petit four igualmente proposto pelo Luca Arguelles, composto de mini tarte de castanhas, queijo Serra da Estrela e aguardente velha.
Para acompanhar esta diversidade de sabores e saberes só um excelente sommelier, Sérgio Pereira, para ir caso a caso sugerindo os vinhos que poderiam acompanhar cada um dos pratos.
Os brancos eram da Casa da Ínsua, Vinícola de Nelas, Adega Cooperativa de Penalva do Castelo, Julia Kemper, Quinta dos Monteirinhos, Quinta dos Carvalhais, Quinta do Serrado, Quinta do Perdigão, Pedra Cancela e Casa Mouraz.
Os tintos eram da Casa da Ínsua, Quinta da Falorca, Adega Cooperativa de Penalva do Castelo, Soito Wines, CM Wines, Adega da Corga, Quinta do Serrado, Morgado de Silgueiros, Adega Cooperativa de Mangualde, Quinta da Fata, Julia Kemper, Quinta de Lemos, Quinta dos Carvalhais, Cabriz, Casa Mouraz e Casa de Santar.
A encerrar intervieram os presidentes da Câmara Municipal de Penalva do Castelo, Francisco Carvalho e da CIM Viseu Dão Lafões, José Morgado.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Hoje, dia 25 de novembro: Estilhaços*

Crónica DÃO E DEMO
* Texto escrito para a apresentação do livro “Estilhaços” em Alcanena, a 10 de abril de 2015 | autora: Fátima Ferreira | editora: Edições Esgotadas
«Um livro é antes de mais um objeto. Um objeto físico, em si mesmo. Cor, forma, textura. Que se olha e de que se gosta. Ou não!
Num primeiro olhar podemos ser por ele atraídos, mesmo que não o conheçamos.
Pode ser assim como que um amor à primeira vista. Um olhar, uma paixão.
Mas para além desse primeiro olhar, da sua forma, da sua cor, um livro também é o título, o autor e, essencialmente, o conteúdo.
É essencialmente a sua capacidade de nos conquistar pelo conteúdo. Quiçá o fundamental, quando queremos que ele seja mais, muito mais que uma mera exibição na prateleira da nossa biblioteca. Que seja muito mais que um mero troféu que exibimos, mas sem termos tido o trabalho duro, mas de prazer, de o conhecer nas entranhas.
Ora este livro da Fátima Ferreira, posso dizer-vos, conquistou-me, conquista-nos, nas suas mais diversas vertentes.
É um livro bonito, desde logo. Atraente... Também pela lágrima que escorre pela face da mulher, que nos estimula questões… Porquê o choro? Qual a origem do choro? Choro de alegria ou de tristeza?
Depois o título. “Estilhaços”. Um título tão forte e tão metafórico! Tão conotativo! Tão literário!
“Estilhaços”, um título, uma palavra, que podemos apodar de ruidosa.
Mas não são todas as palavras ruidosas? Talvez, mas esta é-o sem qualquer sombra de dúvida.
Mas ruidoso não é só o título. Ruidoso é também o seu conteúdo, desde já se diga.
O título, “estilhaços”, são portas a bater. São gritos. São vidros, são janelas partidas. Rangidos. Portas a chiar.
Tal como o seu conteúdo é ruidoso. Ruído gritado. É que o seu interior fala. A sua massa gramatical e semântica comunica. Comunica intensamente. As suas palavras metralham-nos os ouvidos e martelam-nos a cabeça até antes de um adormecer que se torna difícil depois da leitura. São palavras que se cravam na alma e, qual ferro em brasa, na carne.
Este livro mesmo quando fechado, mesmo depois de lido, emite sons, ruídos, que se propagam, quais ondas sísmicas a nascer permanentemente no seu seio.
Faz lembrar aquela metáfora do imperador chinês, de que fala Gonçalo Tavares, na sua crónica da Visão de ontem. Esse imperador tinha no seu quarto uma pintura com uma cascata e um dia pediu a um pintor que lhe apagasse da pintura a cascata. Que pintasse sobre a cascata um outro elemento pictórico. É que a cascata não o deixava dormir durante a noite. Ele não conseguia dormir com o ruído da água a cair naquela cascata.
Pois bem, este livro da Fátima Ferreira é também um pouco assim. Vereis quando o lerdes. Vereis o ruído imenso que carregareis. E espero que isto vos fascine, vos apaixone. Que não vos afaste. Vos conscientize para os dramas humanos. Para as violências da vida. Do viver. Deste nosso viver pós-moderno ou hipermoderno, como tanto gostamos de colocar na lapela, mas que tantas vezes é medieval nos corredores das casas de família.
Este livro traz-nos, portanto, um ruído, mil ruídos. Ruídos que perturbavam a autora. Ruídos que mais do que serem de cinco mulheres, de cinco vozes, são ruídos de uma única voz. De uma única mulher. Ruídos que se colaram ao corpo, ao corpo dessa mulher. Ruídos que são, no princípio e no fim, afinal, como que um infinito emaranhado de fios gelatinosos de que ela não se desprendia. Fios hermafroditas, com capacidade de autofecundação.
Fios que se auto reproduziam a partir das horas do tempo desfiado da memória. Das vozes dos filhos (deixem-me dizer, das filhas) em aflição, em silêncios amargos. Em choros escondidos. Em preces de solidão. Em busca da metáfora do “perene início”, para usar as palavras poéticas de Herberto Hélder, ou um “porto de partida”, na voz desse também imortal Miguel Torga.
Afinal, “início perene” ou “porto de partida”, mais não são do que o motor, o absoluto radical que tanto alimenta o viver. A vida. Todo o viver. E que em cada chegada nos remete para uma nova partida.
E ai quando assim não for!
Este livro é pois, para a autora, esse partir, esse início, ou esse (re)partir, esse (re)início. Mas é também, para a Fátima Ferreira, um antídoto, que encontra através da narradora, para se libertar. Ou melhor, uma tentativa de antídoto para dissolver aquele emaranhado de fios gelatinosos, aquelas vozes que falavam em silêncios ruidosos e que assustavam, quando entravam no quarto para dormir, a Ana, ou a Noémia, ou a Mariana, ou a Bárbara, ou, ou… Afinal aquela única mulher, ou todas as mulheres ao entrarem no quarto, qual campo de tortura! Por vezes de autotortura de quem nem sempre rompeu com uma amálgama de conceitos e de preconceitos. De açoites oriundos duma infância matriciada por valores, com certeza valores, mas valores que agora não a deixam, não as deixam, ver o mundo todo. Que não a libertam, as libertam, dos amontoados de destroços de terramotos diários e profundos. De uma casa, de casas, de paredes grossas. Opacas. De espaços em que os gritos se engolem a si próprios.
Prisão, afinal, era, é, muito mais do que estabelecimento prisional. É casa, também. É quarto. É sala. É cozinha. É refeição ressalgada com lágrimas escorridas. É muito o sofrimento dos filhos (das filhas) em noites de adivinhado alerta perante gritos no quarto ao lado.
Pois bem, este livro é tudo isto.
São mulheres sofridas. Direi mesmo, é uma mulher sofrida. Ou de outro modo, é um ser humano golpeado por outro ser humano.
Mas cada mulher pode também ser um homem. Cinco homens.
O género aqui não importa. O que importa é a violência bruta que está escondida em cada sorriso público hipócrita e em cada queimadura profunda privada. Venha ela donde vier. De homem ou de mulher.
Este livro é adivinhadamente duro.
É para ler. De um ou mais fôlegos. Mas é para ler.
Para ler também nas fugas encetadas que dele brotam. Nas corridas permanentes pela busca de colo. De carinho. De um peito. De quietude.
Mas é também para ler nos parágrafos do caos. Do abismo. Da quase morte. Dos ensaios de queda no poço negro do fim.
Com certeza que temos, todos, que agir. Que fazer mais. E isso já não é matéria para este livro. Isso já não é literatura. Isso são leis, regulamentos, isso é política.
Espero que este livro seja mais um princípio, um outro princípio, para que o fazer mais aconteça. Para que a sociedade aja.
Nunca conseguiremos o fim último. De banir, de erradicar da sociedade o crime. Esse crime.
O homem, a mulher, estão na sua base e quando assim é, a imperfeição acontece.
Mas atenção, esta consciência não nos deve imobilizar na ação. Pelo contrário deve impelir-nos, a todos, a uma atuação.
Pese embora estas minhas considerações finais e o facto de também a Rosa Monteiro dizer que este livro é um grito político, eu prefiro guardá-lo como uma obra literária que nos interpela através de cinco mulheres, de uma só mulher, de um ser humano, homem ou mulher. Que nos interpela sobre violências. Sobre solidão. Sobre vidas duras, muito duras que tantas vezes se passam ao nosso lado. Se passam por aqui. Por aí.
Parabéns Fátima Ferreira.»
Acácio Pinto | Texto publicado hoje a propósito do “Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres”

domingo, 20 de novembro de 2016

Escola da Quinta da Enterranha, Sátão, já abriu portas | É frequentada por 7 alunos

NOTÍCIA DÃO E DEMO
Depois de concluída a escola, Casa da Aprendizagem para os promotores, trabalho que decorreu durante o verão, como Dão e Demo foi dando conta, as aulas começaram no dia 3 de outubro, para 7 crianças, 2 do primeiro ciclo e 5 do jardim-de-infância.
A modalidade que está a ser desenvolvida nesta escola, pela comunidade educativa local, que vive na Quinta da Enterranha, no concelho de Sátão, é a do ensino doméstico, tendo estes alunos, por referência, o Agrupamento de Escolas de Sátão, onde efetuarão ao longo do seu percurso escolar as avaliações relativas à sua evolução educativa.
Como educadores, estas crianças, têm os seus pais que aplicam com os seus filhos, neste caso com os seus alunos, os métodos pedagógicos, na linha da “educação viva”, inspirados em Maria Montessori, Johann Pestalozzi, Waldorf e José Pacheco, da escola da Ponte, este último um projeto pedagógico que se desenvolve no concelho de Santo Tirso, mas que já tem seguidores em diversos locais do mundo.
De referir que os alunos da Casa da Aprendizagem da Quinta da Enterranha participaram com os seus educadores, na passada sexta-feira, na Festa de São Martinho, que teve lugar na Escola Secundária Frei Rosa Viterbo, em Sátão.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Marcelo Rebelo de Sousa condecorou Fernando Ferreira como comendador da ordem de mérito

NOTÍCIA DÃO E DEMO
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, concedeu, esta quarta-feira, dia 9 de novembro, o título de comendador da ordem de mérito aos atletas portugueses medalhados este ano nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro.
Entre os condecorados está Fernando Ferreira, de Lamas, concelho de Sátão, que foi medalha de bronze na modalidade de boccia.
Para além de Fernando Ferreira foram condecorados mais seis atletas paralímpicos, Luís Gonçalves, Manuel Mendes, António Marques, Cristina Gonçalves, Abílio Valente e José Macedo e ainda Telma Monteiro medalha de bronze nos em judo, no Jogos Olímpicos 2016.
A cerimónia decorreu no antigo picadeiro do Museu dos Coches, em Lisboa.