terça-feira, 31 de maio de 2016

Carlos Paixão: ‘Um escritor que se tem vindo a construir com e em cada uma das suas obras’

Entrevista DÃO E DEMO
Tem 56 anos de idade, é natural de Carapito, concelho de Aguiar da Beira, mas foi no Sátão, onde leciona no Centro Escolar, que fixou residência há mais de duas décadas.
Professor do 1º Ciclo, diplomado pela Escola do Magistério Primário de Viseu em 1979, foi sempre um apaixonado pelo património, o que o levou a licenciar-se em História na Universidade de Coimbra e a frequentar o Curso de Património Histórico-Artístico, Natural e Etnográfico do Centro Nacional de Cultura.
E é esta sua dupla vertente, de professor em contacto permanente com as crianças do 1º Ciclo e de homem de cultura, que passa muito pelas páginas dos 14 livros que já leva publicados desde 1995, ano em que se iniciou nas lides de escritor.
É, pois, este homem, Carlos Afonso Paixão Lopes, mais conhecido por Carlos Paixão, na sua vertente de escritor, com livros seus no Plano Nacional de Leitura, que Dão e Demo entrevistou, na sequência da apresentação do seu 14º livro, “Olhares”, publicado pela Junta de Freguesia de Sátão.

Dão e Demo: Este último livro publicado, alusivo à freguesia de Sátão, sob o título “Freguesia de Sátão: Olhares”, é o 14º livro que publica como autor ou coautor. Em que contexto surgiu este livro e qual o seu conteúdo?
Carlos Paixão: Este livro, da minha autoria, surge em resposta a uma solicitação da Junta que, logo depois de ter tomado posse, me contactou no sentido de produzir um livro sobre os diferentes lugares desta freguesia de Sátão. Não prometi nada, mas comprometi-me a pensar no assunto. Passado algum tempo, apresentei-lhes um projeto, que foi aceite, e assim que tive disponibilidade, iniciei os trabalhos.
O seu conteúdo conduz-nos numa visita aos diferentes lugares da freguesia, acompanhados por alguns apontamentos históricos e patrimoniais. No fundo, é um olhar, com diferentes olhares, pois ouvi muitos naturais e residentes e todos eles contribuíram para a construção desta obra.

“O meu primeiro livro [Nos Caminhos do Pão] foi publicado em 1995”

DD: Mas se este é o 14º, quando foi publicado o primeiro e qual a sua temática?
CP: O meu primeiro livro foi publicado em 1995, numa edição da Câmara Municipal de Sátão, com o título “Nos Caminhos do Pão” e foi o resultado de um trabalho final que produzi, na freguesia de Rio de Moinhos, no âmbito do meu Curso de Património.

DD: Como surgiu, se é que é possível definir com exatidão, Carlos Paixão escritor?
CP: O Carlos Paixão escritor não tem, certamente, “certidão de nascimento”. O escritor tem-se vindo a construir com e em cada uma das suas obras. Naturalmente, quando escrevi o meu primeiro livro, estava longe de imaginar que iria fazer o segundo e era impossível prever que chegaria, aqui, ao décimo quarto. As críticas e os diferentes prémios literários que recebi, ao longo destes anos, foram um grande incentivo para continuar e acreditar, ainda mais, naquilo que fazia. Também foi relevante o facto de alguns livros fazerem parte das obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura. Efetivamente, só há um escritor Carlos Paixão porque há leitores para as suas obras.

DD: Quais são as suas principais inspirações? Ou se quiser, quais são as temáticas centrais que o movem quando escreve?
CP: Quem me lê descobre facilmente que há uma temática presente em todas as minhas obras. O nosso património, nas suas diferentes manifestações, oral, monumental, natural, artístico ou etnográfico, todo o nosso património cultural se manifesta na minha escrita. A inspiração centra-se nas nossas terras e nas nossas gentes, sejam adultos ou crianças, em todos aqueles e todas aquelas, lugares e pessoas, que contribuíram e continuam a contribuir para eu ser quem sou.

“as obras destinadas aos mais novos são também apreciadas por muitos adultos”

DD: Escreve para quem?
CP: Escrevo para quem me quer ler. Felizmente, tenho chegado a muitos públicos, mas tenho um alargado grupo de fiéis leitores, a quem aproveito para agradecer, que querem ter tudo o que eu tenho publicado. Também se tem tornado evidente que as obras destinadas aos mais novos são também apreciadas por muitos adultos.

DD: Uma vida dedicada ao ensino é também ela fonte de inspiração para as histórias que os livros vão imortalizando?
CP: Sem dúvida. Os muitos alunos e experiências que tenho vivido, nestes mais de 36 anos de serviço docente, são, efetivamente, uma fonte farta para o que escrevo e, daí, diversos dos meus livros terem a sua origem na escola, como são exemplo: “Lengalengas de Aprender a Ler”; “A Tartaruga Atropelada”; “À Descoberta do Primeiro Santo-São Teotónio”; “O Vento Bateu à Porta” e outros.

“não haverá razões para não continuarmos [com Carlos Pais] a trabalhar juntos”

DD: Nos livros publicados as coautorias têm sido com Carlos Pais e António José Paixão. Fale-nos de ambas e se são para continuar.
CP: O Tó-Zé Paixão é o meu irmão, o meu melhor amigo, aquele com quem partilhei e partilho grande parte da minha vida. Temos afinidades e cumplicidades que nos ligarão para sempre. Apoiámo-nos muito um no outro para começarmos a escrever. Depois, ele seguiu os trilhos da pintura e eu continuei pelas letras mas, a toda a hora, encontramos razões para nos encontrarmos.
O Carlos Pais foi uma descoberta que eu fiz, quando o desafiei a ilustrar o meu livro: “Lengalengas de Aprender a Ler”. A partir daí tem estado sempre presente nas minhas obras e a mostrar a qualidade do seu trabalho, seja na ilustração, seja nos arranjos gráficos ou na fotografia.
Havendo mais obras, não haverá razões para não continuarmos a trabalhar juntos.

“Não me falta material para outras publicações”

DD: Desvende aos leitores Dão e Demo o próximo livro que vai ser dado à estampa. Para quando nas livrarias?
CP: Já seria demais! No espaço de um mês, acabei por publicar dois livros! Agora é tempo de ouvir as opiniões, sentir os leitores e fazer uma pausa. Não me falta material para outras publicações, no entanto, a minha profissão é ser professor. Uma profissão cada vez mais exigente e que, de há uns anos para cá, infelizmente, não nos deixa muito tempo para criarmos.
Quando e como será o décimo quinto, nem eu sei!


PERGUNTAS RÁPIDAS A CARLOS PAIXÃO
Qual o seu autor preferido?
Não tenho um autor preferido. Todavia, há vários autores que eu leio mais: Miguel Torga, Aquilino Ribeiro, José Saramago, Gabriel Garcia Marquez, José Luís Peixoto, Mia Couto…
Qual o livro que mais o marcou?
“Crónica de Uma Morte Anunciada” de Gabriel Garcia Marquez.
Qual o livro que tem, neste momento, na mesinha de cabeceira?
Na mesinha de cabeceira está: “O Grande Livro dos Santos”; junto do sofá da cozinha estão: “O Meu Irmão” de Afonso Reis Cabral e : “ Puxar a Brasa à Nossa Sardinha” de Andreia Vale. Normalmente, tenho disponíveis dois ou três livros para ler. Pego neles de acordo com a disposição de momento.
Onde gosta mais de ler?
Todos os lugares me servem para ler, aliás, já há quem diga que eu tenho de estar sempre a ler. Leio tudo e em todo o lado. No entanto, um lugar privilegiado é dentro do carro, no cimo de um monte, com largo horizonte, ou junto de um local em que se ouça o cantarolar da água.
Qual o primeiro livro que leu e com que idade?

Provavelmente o livro de leitura da primeira classe, não me lembro. Sei que o meu professor primário me deu um livro, o meu primeiro livro, que eu guardo em lugar de destaque na minha biblioteca, intitulado: “O Jardim”, no Natal de 1968.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Casa da Cultura de Sátão: Inaugurada exposição sobre património religioso

Notícia DÃO E DEMO
Foi inaugurada este domingo, dia 29 de maio, na Casa da Cultura de Sátão, pelo bispo de Viseu, Ilídio Leandro, e pelo presidente da Câmara Municipal de Sátão, Alexandre Vaz a exposição “O amor de Deus ao longo dos tempos litúrgicos”, que vai estar patente ao público até ao dia 31 de agosto.
A inauguração contou com a presença de muitos autarcas de Sátão, de representantes institucionais e de muitos satenses.
Esta exposição é o resultado de uma parceria entre a Diocese de Viseu, através do Departamento dos Bens Culturais, a Câmara Municipal de Sátão, as paróquias de Aguiar da Beira, Mangualde, Nelas, Penalva do Castelo e Sátão, e a Associação de Desenvolvimento do Dão (ADD).
As peças expostas são o resultado de um trabalho de inventariação do património religioso que tem vindo a ser desenvolvido nas paróquias da ADD, sob a orientação do Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Viseu, coordenado por Fátima Eusébio, especialista nesta área e com vasta obra publicada.
Pode ver o álbum de fotos desta exposição na secção Multimédia de Dão e Demo.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Distrito de Viseu com menos turmas a concurso para os colégios, no próximo ano letivo

Notícia DÃO E DEMO
O distrito de Viseu vai ter menos turmas contratualizadas no próximo ano letivo, 2016-2017, segundo os dados publicados pelo governo no despacho de abertura de candidaturas, que decorrerão entre 30 de maio e 15 de junho de 2016.
No distrito temos, neste momento, colégios com contratos de associação nos concelhos de Viseu e de Resende e a previsão de abertura para o próximo ano deixa de fora o Externato dom Afonso Henriques, de Resende, onde não abrirá qualquer turma de início de ciclo. Já no concelho de Viseu estão previstas 6 turmas para abrir em início de ciclo (3 para o 5º ano e 3 para o 7º ano), sendo 2 para a área da Escola Jean Piaget e quatro para a área dos colégios Via Sacra e Imaculada Conceição que as disputarão através do procedimento agora aberto. Recorde-se que estes dois colégios já no ano anterior estiveram envolvidos numa disputa de turmas, que originou vários recursos sobre a decisão do Ministério da Educação.
Ora isto corresponde a uma redução efetiva de turmas que irão ser contratualizadas. Se no ano anterior estiveram em concurso no concelho de Viseu 14 turmas, este ano haverá menos 8 turmas a concurso para iniciar os respetivos ciclos (5º e 7º anos).
Sobre esta matéria pode ver os mapas que o Observador publicou onde estão detalhados, a nível nacional, os colégios que não irão receber qualquer turma em início de ciclo.
Mas esta questão, do ensino público e privado, em Viseu, não é nova, uma vez que as direções das escolas públicas do concelho e as estruturas sindicais vêm afirmando que as escolas públicas têm mais capacidade de oferta do que aquela que a rede escolar lhes tem atribuído. Numa das suas últimas edições o Jornal do Centro apresenta os números e as capacidades disponíveis em cada uma das escolas.

domingo, 22 de maio de 2016

Barragem no rio Vouga para abastecimento de água à região

Notícia DÃO E DEMO.
A ideia é antiga, mas agora começa a ganhar contornos bem definidos. Os autarcas dos concelhos envolvidos têm vindo a colocar o tema na ordem do dia, pois o abastecimento de água a Viseu e aos municípios envolventes é um problema que carece de uma solução.
Almeida Henriques, o autarca de Viseu, um dos impulsionadores desta ideia, diz que com esta barragem, a construir no Vouga, na Maeira, os municípios de Viseu, Mangualde, Nelas, Penalva do Castelo, Sátão, Vila Nova de Paiva, Vouzela e S. Pedro do Sul poderão ficar, a nível de abastecimento de água, “com o problema resolvido para 30 anos”. É que, segundo o autarca de Viseu, a barragem de Fagilde “não dá garantias”.
E se Almeida Henriques tem vindo trazer este assunto à tona, nas reuniões municipais e nas várias reuniões que envolvem a administração central, o autarca de Sátão, Alexandre Vaz, também tem vindo a dar o seu aval a este projeto, dizendo que “esta barragem é fundamental para o Sátão” fazendo com que “os concelhos envolvidos não tenham problemas de seca”.
Alexandre Vaz disse mesmo, na última Assembleia Municipal, que “a barragem do Vouga a construir na zona de Cepões será uma realidade a curto prazo”. O presidente de Sátão fala já dos custos e diz que este projeto ascenderá a “47 milhões de euros” e já se avançam datas, 2017, para o início das obras, depois de tudo ser protocolado entre os concelhos envolvidos e o governo, ainda durante este ano.

Borges da Silva, autarca de Nelas, também já manifestou a sua concordância a este “projeto de longo prazo” dizendo que já houve uma reunião com o Secretário de Estado do Ambiente.

domingo, 15 de maio de 2016

Portugal Wine Castas e Quinta de Lemos promoveram jantar vínico

Notícia DÃO E DEMO
A garrafeira Portugal Wine Castes, sedeada junto à estação agrária de Viseu, propriedade de Manuel Figueiredo, levou a cabo mais um jantar vínico, desta feita em parceria com a Quinta de Lemos, uma “quinta-jardim” da família Lemos, com 25 hectares, situada na região demarcada do Dão, na freguesia de Silgueiros, concelho de Viseu.
Foi com esta parceria, entre uma garrafeira de excelência e um vinho igualmente de excelência, produzido na mais antiga região produtora de vinho de Portugal, que os comensais puderam navegar pelos prazeres dos paladares e dos aromas, com a Sé de Viseu como quadro natural em fundo.
Para acompanhar as entradas, sempre tão importantes em qualquer atividade humana, como preparação para o trabalho principal que se avizinha, a Quinta de Lemos apresentou o Alfrocheiro 2010, um tinto de cor vermelha rubi, bem elegante e aveludado. Um vinho bem apreciado e repetido por todos, ao ritmo das fartas e múltiplas iguarias que a gastronomia do Dão sempre “cultiva” e apresenta com elevada qualidade.
Com o creme de espargos a Quinta de Lemos, através de Hugo Chaves, o enólogo e compositor dos néctares da quinta, propôs um Jaen 2007, um vinho tinto de uma casta nem sempre bem-amada no Dão, mas que nesta versão mostra, como dele alguém disse, elegância e vigor, sendo um vinho de elevada qualidade.
Mas foi no D. Santana 2007, o vinho que entrou de mão dada com o bacalhau com broa, que a arte do enólogo entrou pela casa dentro de todos, através das palavras, dos aromas e dos paladares que o enólogo Hugo Chaves ali deixou. Com muita segurança e assertividade, Hugo Chaves partilhou com todos algumas das subtilezas da arte da “construção” do vinho, desde a vinha até à garrafa. Falou das uvas, poucas, que se deixam em cada videira para aumentar a qualidade, da maturação das ditas, da vindima muitas vezes noturna para que o sol quando muito duro e a pique não altere as fermentações, das castas da quinta, do envelhecimento, falou da família produtora e da simbologia das marcas, falou afinal de toda uma orquestra que é preciso ensaiar em bastidores para que a garrafa que chega à mesa possa ser um cofre onde se esconde muito mais do que um vinho.
De seguida surgiu o cabritinho assado com batatas assadas e aqui a opção foi pelo Touriga Nacional 2009, um vinho produzido a partir da casta mais nobre do Dão, bem frutado e que deixou um travo longo e sedoso.
E contrariando a ideia de “não regressarmos ao sítio onde fomos felizes”, o Hugo Chaves, o winemaker da Quinta de Lemos, e o Manuel Figueiredo, o anfitrião, da garrafeira Portugal Wine Castes, propuseram novamente o regresso ao Alfrocheiro 2010, para acompanhar a fruta laminada, os doces e a tábua de queijos. E fizeram bem, numa demonstração de que é sempre possível contrariar as ideias feitas e conceber novas, aveludadas, longas e sedutoras ideias em torno de um vinho com caráter como é o caso do Alfrocheiro 2010.
A música é sempre um bom complemento, mas de forma especial quando os participantes colocam as suas cordas vocais ao serviço do todo.

Nota: Com o cabritinho assado o D. Georgina 2009 também teria feito um “perfect wedding”.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Junta de Sátão assinalou os 905 anos com lançamento do livro ‘Olhares’ sobre a freguesia

A Junta de Freguesia de Sátão assinalou esta segunda-feira, dia 9 de maio, os 905 anos do Foral concedido pelo conde dom Henrique e dona Teresa em 111, neste exato dia.
Para assinalar esta efeméride a opção da Junta foi a de editar um livro sobre o seu território, sobre histórias, paisagens e aspetos patrimoniais “construídos” ao longo do tempo, que hoje ainda perduram e que se pretendem perpetuar.
O título do livro, da autoria de Carlos Paixão (texto) e de Carlos Pais (fotos), é “Freguesia de Sátão: Olhares” e foi apresentado na Casa da Cultura com intervenções dos autores, Carlos Paixão e Carlos Pais, que detalharam e circunstanciaram a obra, mas também do Presidente da Câmara, Alexandre Vaz, que saudou a Junta pela iniciativa e, finalmente, pelo Presidente da Junta, António José Carvalho, que agradeceu a presença de todos e distinguiu os autores com palavras de especial agradecimento.
Na sala estavam os autarcas, o pároco, José Cardoso Almeida, e muito público interessado nestes conteúdos patrimoniais da sua terra, afinal uma matéria que todos os dias olham e que a partir de agora irão continuar a olhar, mas sobretudo a ver com outros olhos, a ver melhor.

Para quem estiver interessado, o livro encontra-se à venda na sede da Junta de Freguesia de Sátão pelo preço de sete euros.




quarta-feira, 11 de maio de 2016

Vai ser construída uma escola para ensino doméstico na Quinta da Enterranha – Sátão

Um grupo de 17 amigos, jovens, 10 portugueses e 7 estrangeiros, comprou uma propriedade na Quinta da Enterranha, próximo da aldeia de Carvalhal de Romãs, no concelho de Sátão, e ali vivem há mais de quatro anos com o grande objetivo de criarem uma aldeia auto sustentável e biológica estando “mais próximo da natureza outra vez e voltar às raízes”, como referem. E é sob estes princípios que trabalham a terra e que têm vindo a construir as suas moradias.
Acontece que no início a comunidade tinha só duas crianças e neste momento esse número aumentou para nove crianças, acrescentando novas necessidades que terão que ser correspondidas com novos projetos.
E colocando-se a necessidade de ser dada educação e formação às crianças a comunidade vai ter que avançar para a construção de uma escola, pois até aqui as crianças estavam em idade de jardim-de-infância, que frequentavam na comunidade, nas suas moradias, em modalidade de ensino doméstico. E é este o desafio que é lançado sob a forma de vídeo e num site que criaram para o efeito, o da construção de uma escola que permita às crianças mais velhas terem acesso à educação e formação, também em modalidade de ensino doméstico, que lhes querem facultar.
E o grupo avança com o período entre 15 de junho e 15 de julho para que a escola seja construída desafiando as pessoas a ajudá-los em partilha de saberes. É nesse contexto que será criado um acampamento que receberá os voluntários que queiram ajudar na construção da escola, resultando esta da recuperação de uma ruína segundo métodos de bio construção.
É, pois, este o projeto que neste momento está a mobilizar a comunidade que vive na Quinta da Enterranha, a construção da escola para as suas crianças, dizendo que aceitam, para além do trabalho de voluntários, todas as ofertas pois são “bons a reciclar. Reciclamos tudo, janelas, portas, madeira e tentamos manter o orçamento baixo”.
Para além da escola, no futuro irão recuperar o forno e os moinhos existentes na quinta para confecionarem o próprio pão e para prosseguirem e aprofundarem os seus princípios de auto sustentabilidade.
Quanto ao ensino ministrado a própria comunidade diz que se trata de ensino doméstico, importando aqui referir que esta modalidade de ensino é legal em Portugal. Através desta modalidade os jovens podem ser acompanhados no seu próprio domicílio por um familiar ou por pessoa que nela habite. Porém, tem que haver uma ligação a uma escola pública onde terão que ser efetuados exames nos finais de ciclo.
Casa Aprendizagem ou Home scholling é o projeto que esta comunidade, “uma união de famílias interessadas na opção do ensino doméstico como educação para os seus filhos” como dizem no site, quer levar a cabo na Quinta da Enterranha, acrescentando que “o nosso objetivo como pais e educadores é proporcionar ás crianças uma educação viva, integral, amante da natureza, que inclua as artes e o espírito, e que respeite o ritmo de aprendizagem e o interesse de cada criança.”

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Presidentes das Câmaras de Sátão e de Penalva do Castelo estão de costas voltadas por causa da justiça

Notícia DÃO E DEMO
A comunicação social regional levantou, nas últimas semanas, a questão da acessibilidade à justiça da população do concelho de Penalva do Castelo, que neste momento têm acesso à justiça através do Tribunal de Sátão, e que, segundo a comunicação social, a população de Penalva poderá regressar ao Tribunal de Mangualde, donde tinha saído aquando da última reforma judiciária.
Desafiado, na última Assembleia Municipal de Sátão, no dia 28 de abril, a esclarecer o que se passava, Alexandre Vaz disse que não tinha conhecimento oficialmente de qualquer alteração, mas avançou que a situação a ocorrer “só tem um intuito político” dizendo que a distância de Penalva ao Sátão é menor do que a Mangualde e que a Câmara de Sátão que “em tempos teve um autocarro entre Penalva e Sátão”, neste momento paga um táxi às pessoas de Penalva que queiram vir ao Tribunal de Sátão e para além disso há muito menos pendências em Sátão do que em Mangualde.
Portanto os três elementos mais importantes para Alexandre Vaz, no âmbito da justiça, estão reunidos em Sátão, “proximidade”, “melhor justiça” e “transportes” pelo que não compreenderá qualquer alteração à situação atual.
Quem não gostou destas declarações foi o presidente da Câmara Municipal de Penalva do Castelo. Confrontado, pela Alive FM, com as declarações de Alexandre Vaz, Francisco Carvalho devolve as acusações e diz que quando Alexandre Vaz “invoca motivos ele sabe do que está a falar, pois ele sabe que foi por motivos políticos que a população de Penalva do Castelo foi transferida da comarca de Mangualde para a de Sátão, uma vez que o senhor presidente da Câmara de Sátão disse em período eleitoral [eleições de 2013] que se lhe fechassem o Tribunal ele não seria candidato à Câmara de Sátão.”
E o presidente de Penalva disse mesmo que “ele e os seus companheiros de partido, o dr. Leonídio Monteiro e o PSD de Viseu fizeram tudo para cometer a maior injustiça ao concelho de Penalva do castelo.” Portanto quando “ele fala de motivos políticos ele sabe do que está a falar, porque sabe do modo como tratou esta transferência.”
Francisco Carvalho chegou mesmo ao ponto de dizer que “neste momento o dr. Vaz já não manda no município de Penalva do Castelo” uma vez que graças à vontade dos eleitores de Penalva em 2013, deixaram de ter um autarca que obedece ao autarca de Sátão e passaram a ter um independente.
Francisco Carvalho relembrou ainda nestas declarações à Alive FM que “foi aprovado por unanimidade na Assembleia Municipal de Penalva do Castelo ainda no mandato anterior que queriam pertencer à comarca de Mangualde e essa é a vontade que prevalece no concelho.”
Quanto às distâncias Francisco Carvalho acusou o seu homólogo de Sátão de não conhecer o concelho de Penalva do Castelo, pois “há freguesias que fazem o triplo dos quilómetros para irem à comarca de Sátão quando os não faziam para Mangualde.
Portanto, a polémica está lançada, aguardando-se, agora, as cenas dos próximos capítulos.

António Costa em Viseu, este sábado, para apresentar a moção de estratégia que vai levar ao Congresso

Notícia DÃO E DEMO
António Costa vai estar este sábado, dia 7 de maio, pelas 21 horas, em Viseu, no Auditório da Escola Superior de Tecnologia, no IPV, para apresentar e debater com os socialistas da região a moção de estratégia política global com que se recandidata a secretário-geral do Partido Socialista.
O prazo limite para apresentação de candidaturas e moções ao congresso socialista, que decorrerá em Lisboa, entre 3 e 5 de junho, termina esta quinta-feira, dia 5 de maio, e só a partir daí se saberá se António Costa vai ter algum opositor, admitindo o Público que Daniel Adrião, embora apoiando a liderança, se deverá candidatar para despertar o debate no congresso em torno das questões da reforma do sistema político e partidário.

Segundo o Observador, o grupo responsável pela moção de António Costa é coordenado por Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta, e integra Pedro Silva Pereira, Paulo Pedroso, Porfírio Silva, João Galamba, João Tiago Silveira, Pedro Nuno Santos, Eduardo Cabrita e Rui Santos, presidente da Câmara de Vila Real.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Colóquio Viagens à 'minha' guerra: Vídeo com a intervenção do público

Notícia DÃO E DEMO
Acabámos de publicar o último vídeo (parte v) do Colóquio Dão e Demo, "Viagens à 'minha' guerra", fechando assim o segundo colóquio colóquio Dão e Demo, este sobre a temática da guerra colonial.
Neste vídeo constam as diversas intervenções do público presente. Todos os que intervieram deixaram testemunhos emocionados sobre diversos aspetos por que passaram na guerra colonial em que participaram.
A todos os que quiseram estar presentes e foram tantos, a todos os que intervieram e aos elementos que connosco partilharam a mesa para as intervenções inciais o nosso penhorado agradecimento.
Este vídeo (parte v - intervenção do público) pode ser visto no canal Dão e Demo do youtube.
Ficam os links de todos os vídeos deste colóquio: