quinta-feira, 30 de abril de 2015

Questionei o ministro Nuno Crato sobre não marcação de audiência com presidente de São Pedro do Sul


Na audição do ministro de educação realizada no dia 29 de abril na comissão de educação, ciência e cultura, na AR, confrontei Nuno Crato (vídeo supra) com o facto de o estado estar a utilizar uma escola cuja propriedade é do município sampedrense e sem qualquer pagamento de renda.
Acresce que a autarquia já solicitou uma reunião há 18 meses ao ministro da educação para tratar deste assunto e até agora o gabinete de Nuno crato não se dignou marcar a respetiva reunião.
Na resposta (vídeo infra) Nuno Crato pede desculpa e disse que se ia inteirar da situação.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Reunião da assembleia municipal de Sátão: Nem 25 de abril, nem variante à EN 229!

Na reunião ordinária da assembleia municipal de Sátão realizada no dia 29 de abril tive a oportunidade de trazer ao debate duas questões: uma sobre o 25 de abril e outra sobre acessibilidade.
Quanto ao 25 de abril manifestei a minha discordância pelo facto de a câmara este ano não ter levado a cabo nenhuma iniciativa que visasse assinalar a revolução que aconteceu em Portugal em 25 de abril de 1974 e que pôs cobro a longas décadas de ditadura.
O dia 25 de abril é uma data marcante que merece ser comemorada e merecia ter sido respeitada pelo município de Sátão.
A segunda questão teve a ver com a construção da variante à EN 229 (nova via) entre Sátão e Viseu na sequência das declarações do secretário de estado Sérgio Monteiro dizendo que a não efetuaria.
Acrescentei neste âmbito que estas declarações do secretário de estado são um desrespeito e uma traição para com os satenses e viseenses e todos quantos frequentam diariamente aquela via.
Esta é mesmo uma situação inadmissível e uma quebra de um compromisso que tinha sido assumido também por este governo.
Portanto aquilo que o atual governo quer é transformar a construção de uma nova via numa mera retificação da atual EN 229. E isto é um rude golpe no desenvolvimento do concelho e da região.

Assembleia intermunicipal da CIM Viseu Dão Lafões reuniu em Mangualde

Presidi, no dia 27 de abril, à reunião ordinária da assembleia intermunicipal da comunidade intermunicipal Viseu Dão Lafões que decorreu no auditório da biblioteca municipal dr. Alexandre Alves, em Mangualde.
Na mesa estiveram comigo o vice-presidente, José Rodrigues, e o secretário, Alberto Ascensão.
Do conselho intermunicipal estiveram presentes o presidente, José Morgado, e o presidente da câmara de Mangualde, João Azevedo, que foi o anfitrião desta reunião. O secretário executivo, Nuno Martinho, também marcou presença.
Da ordem de trabalhos constavam a discussão e votação de documentos da gestão da CIM, nomeadamente a prestação de contas do exercício de 2014, o mapa de pessoal e a primeira revisão orçamental.
Mas foi, especialmente, no período de antes da ordem do dia que os deputados dos diversos partidos políticos apresentaram diversas intervenções sobre os mais variados assuntos relacionados com a região, nomeadamente no âmbito das acessibilidades, da saúde (radioterapia no centro hospitalar), do 25 de abril e sobre procedimentos e obras em curso no âmbito da comunidade.
Igualmente passaram pelo debate as importantes questões dos futuros investimentos na região, no âmbito dos fundos comunitários, e do seu mapeamento.

terça-feira, 28 de abril de 2015

A minha crónica na revista especial da ordem dos enfermeiros do centro | O senhor Augusto*

[Pode ver AQUI a minha crónica na página 2 da REVISTA]

Aqui deixo a transcrição:

Lembro-me muito bem dele. Septuagenário. Alto, calvo, elegante.
Bem o vejo, ainda hoje, cinquenta anos volvidos, a estalar os dedos enquanto a seringa de vidro e as agulhas, dentro de uma caixa metálica, eram desinfetadas em água a ferver. Por baixo ardia, com chama quase invisível, aguardente daquela bem forte.
Era sempre o mesmo ritual. Um ritual de alguns minutos a que eu assistia em silêncio, quando não era eu a “vítima” daquelas agulhas tão compridas. Quando não, quando sobrava para mim, lá tinha a minha avó Marquinhas de intervir e levar-me ao sacrifício por entre pés arrastados e choro convulsivo.
Augusto, de seu nome, era, naquele tempo, muito mais do que enfermeiro. Guardo-o como um homem sereno, sempre aprumado e com uma delicadeza de veludo, apesar das agulhas grandes e grossas que nos espetava nas nádegas. Não eram como essas seringas e agulhas de hoje, descartáveis, finas e que verdadeiramente nem sentimos entrar no músculo.
Nada disso. Eram grossas e compridas. Por onde escorria a penicilina que milagrosamente nos aliviava as maleitas, nos baixava a febre e nos curava as anginas. Amigdalite é hoje. E hoje curam-se com cápsulas, sem aqueles rituais das seringas a ferver!
Augusto foi enfermeiro de guerra. Onde os fármacos e as compressas escasseavam.
Num tempo em que as guerras eram corpo a corpo. Eram sem GPS e sem aviões teleguiados. Daquelas guerras em que os combates acabavam à baioneta.
Formou-se nas planícies lamacentas da Flandres. Dentro de trincheiras em que a água, tantas vezes, subia até à cintura. Especializou-se na batalha de La Lys, ou nas tantas outras batalhas travadas pelo corpo expedicionário português. Debaixo e dentro do nevoeiro da primeira grande guerra. Naqueles combates de fogo intenso em que não havia reabastecimento e tantas vezes nenhuma comunicação funcionava, quando os exércitos eram cercados pelo inimigo; os telégrafos eram boicotados, os pombos não podiam ser lançados devido ao fogo cruzado e os estafetas ciclistas eram abatidos. E ali só restava a coragem; a fé; e os Augustos dos diversos batalhões, com as suas seringas e talas sempre prontas, para socorrer os gritos dos camaradas feridos nas primeiras e nas segundas linhas de infantaria.
Depois disto, só podia haver veludo e afetividade naqueles olhos meigos. Naqueles olhos lhanos. Naqueles olhos que não tendo morrido ante a miséria humana, ante a guerra, eram (só podem ter sido sempre!) olhos de celebração, de esperança e redentores da vida. Mesmo ante a agonia. Ante a morte.
Mas aqueles olhos de ontem são os mesmos de hoje. Os mesmos que hoje também são cuidadores. Que são sempre uma luz de esperança que se acende mesmo no escuro da noite mais dura. Mesmo quando “entregamos” o corpo à contaminação de tumores de morte anunciada. Mesmo aí, há sempre uns olhos, uma polpa de dedos suaves, dedos sem luvas esterilizadas, que nos aconchegam a face e nos beijam a alma.
São esses toques, esses gestos, esses afetos, que tantas vezes amansam mais a dor do que os fármacos dos laboratórios de última geração.
Sejam Augustos, Madalenas, ou mil nomes, seja quem for que seja. Seja no centro de saúde, no hospital, seja nos corredores escuros das casas pobres, ou nos quartos largos dos faustos palácios, por detrás de cada um desses seres humanos, há um coração a bater que nos chama, um coração que quer resistir. Na quimioterapia, na diálise, nos cuidados à comunidade, ou nos paliativos. Sempre um ser humano, tantas vezes, a travar um combate nos limites. Na margem de todos os abismos.
E quando assim é, tantos de nós, apelamos à fé, ao além, a um Deus maior. Mas neste aquém, neste agora, neste aqui, como sabe bem uma voz que nos conforte, um olhar que nos inspire, umas mãos que nos toquem, uma presença que de nós cuide. Com prazer.
Mas aquelas dificuldades de ontem, pasme-se, são também as de hoje. Ou não estejamos também, hoje, em guerra! Noutra guerra, mas em guerra. Na dos paraísos fiscais. Na das cegas sociedades financeiras. Na da ganância humana. Na da gula!
Tempos estes onde, igualmente, as espátulas ou a gaze não existem e onde as seringas escasseiam. Onde os medicamentos se racionam e as vacinas se concedem sob pressão. Afinal, onde os cidadãos se contorcem e morrem nos corredores dos hospitais transformados em trincheiras de espera.
Cinquenta anos volvidos, cinquenta anos depois de uma gratificação que era feita em alqueires ou em almudes, temos também, hoje, profissionais, competentes e responsáveis, mas com os mesmos problemas dos Augustos de outrora. Temos enfermeiros e tantos outros especialistas que a sociedade tem de reconhecer, que temos de dignificar.
Passemos das palavras à prática: de um serviço de saúde que, sendo de todos, seja, de facto, para todos!
Acácio Pinto
* texto ficcionado


No solar do dão em Viseu: Foi apresentada a rota do vinho do dão

(LUSA, 27.04.2015) - «A Região Demarcada do Dão tem a partir desta segunda-feira [dia 27 de abril] ao dispor dos turistas uma rota dos vinhos que envolve 41 vitivinicultores e que numa primeira fase representou um investimento superior a 465 mil euros.
Na cerimónia de lançamento da rota, o presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, Arlindo Cunha, afirmou que esta segunda-feira representa “o passar de um velho sonho ao início da construção de uma realidade”, depois de uma primeira tentativa gorada em 2000.
Arlindo Cunha frisou que a Região Demarcada do Dão “produz vinhos que o país e o mundo conhecem pelo seu carácter e elegância” e tem “recursos com enorme potencial para serem explorados, criando valor económico através do turismo”, concretamente “um património vitivinícola enraizado na cultura das suas gentes”.
“Apesar desse potencial, o Dão era, de entre as denominações de origem históricas do nosso país, a única que ainda não tinha uma rota de vinhos”, referiu.
O projecto foi apoiado pelo Plano Operacional do Centro, tendo a componente nacional sido financiada pela Comunidade Intermunicipal da Região Viseu Dão Lafões e pela CVR Dão.
Segundo o responsável, a Rota dos Vinhos do Dão “não irá, certamente, funcionar na perfeição, sobretudo, nos primeiros tempos, mas iremos melhorando à medida que a formos construindo e também alargando, pois este é um processo aberto”, garantiu.
Uma segunda fase do projecto será dedicada à sinalética na rede viária e ao “conjunto de apoios a pequenos investimentos nas adegas para se criarem condições de melhor acolhimento aos enoturistas”, avançou.
O vice-presidente da Câmara de Viseu, Joaquim Seixas, considerou que se trata “de um projecto de importância capital para toda a região, não apenas para a promoção dos vinhos, mas também para a tornar cada vez mais atractiva em termos turísticos”.
Lembrou que a autarquia também tem vindo a assumir a condição de Viseu enquanto cidade vinhateira, tendo já realizado várias iniciativas nesse sentido, no âmbito da boa relação que tem com a CVR Dão.
A Rota dos Vinhos do Dão tem uma plataforma na Internet onde são apresentados os roteiros, as adegas e os serviços que a integram, é fornecida informação institucional e através da qual é possível marcar visitas. Em breve, haverá também uma aplicação para dispositivos móveis.
Ao final da tarde desta segunda-feira, será inaugurado o Welcome Center da Rota dos Vinhos do Dão, que ficará no Solar dos Vinhos do Dão, em Viseu. O espaço dispõe de duas salas de provas de vinhos, de uma mediateca e de uma sala de exposições.
A Rota dos Vinhos do Dão resultou de quase dois anos de trabalho, durante os quais foram realizados estudos, inquéritos e visitas aos locais, em articulação com várias entidades públicas e privadas.»
Lá estive com o deputado José Junqueiro e muitos autarcas socialistas.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Comunicado deputados do PS | "Viseu-Coimbra: não há estrada, apenas terminou a farsa do PSD"

Foto: coimbratv.net
«O primeiro-ministro respondeu, recentemente, em Coimbra à representação cénica do presidente da câmara de Viseu que, agora, só agora, se lembrou de ir reunir com o seu colega do PS de Coimbra para defenderem, em conjunto, a ligação a Viseu.
Esta viagem fez-se com, pelo menos, 14 meses de atraso, porque essa reunião, em fevereiro de 2014, foi feita pelos deputados e autarcas socialistas dos dois distritos, tendo recebido do PSD comentários de apoucamento.
Disse Pedro Passos Coelho que não haveria soluções em perfil de autoestrada nem qualquer outro investimento que não fosse da iniciativa privada. E disse ainda mais quando se referiu à inexistência de qualquer outra alternativa que, até à data, tivesse sido estudada: nada foi feito! Foram quatro anos perdidos!
O primeiro-ministro disse a verdade, mas isso não desculpa a desconsideração a que votou a região. Os deputados e autarcas do PSD que se pronunciaram sobre esta matéria nunca disseram a verdade e a única iniciativa pública que assumiram, convicta e energicamente foi a do logro político.
O clímax dessa aventura foi assumido na assembleia municipal de Viseu quando o PSD exigiu numa moção reivindicativa que queriam ligação em perfil de autoestrada, sem portagens, letra de uma canção do presidente da câmara de Viseu que falava num apoio comunitário de 85%.
O primeiro-ministro disse que isso nunca existiu, que a ligação foi considerada uma prioridade negativa e que, portanto nada seria feito. Confirmou, como se referiu, que durante quatro anos o seu governo não estudou nenhuma alternativa.
Aqui ficam as palavras dos deputados e autarcas do PS à comunicação social depois da sua reunião em Coimbra, há 14 meses: : "As pessoas que estão aqui não podem ser enganadas. Nem os autarcas nem os deputados", exigindo-se que o Governo retire o projeto "do papel e materialize a intervenção no IP3"... "onde já morreram mais de 120 pessoas e destroçou as vidas de centenas de famílias".
Estamos a poucos meses de eleições e em tempo de escolhas. Os eleitores poderão agora escolher entre ter mais do mesmo (PSD/CDS), sem rumo e sem esperança, ou entre quem propõe um outro caminho, sério, que quer mobilizar a região e o país como preconiza o PS.»
Viseu, 2015.04.27
Os deputados do PS por Viseu

José Junqueiro, Acácio Pinto, Elza Pais

domingo, 26 de abril de 2015

António Costa homenageou constituintes e recusou compromissos, consensos ou conciliação

O secretário-geral do PS recusou, este sábado, dia 25 de abril, os apelos ao PS para "compromissos, consensos ou conciliação" com o Governo, contrapondo que o voto é a arma do povo e que a escolha faz-se entre alternativas.
António Costa falava numa sessão de homenagem, na Sede Nacional do PS, aos 148 deputados socialistas eleitos para a Assembleia Constituinte em 1975. Uma placa evocativa foi descerrada por António Costa e Mário Soares.
O secretário-geral do PS sustentou que ninguém melhor do que o PS "sabe que o diálogo é a componente essencial da democracia - diálogo entre os partidos políticos e as forças sociais".
"Mas as eleições são um momento de escolhas e, como há 40 anos se dizia, o voto é a arma do povo, porque o voto decide, permitindo fazer diferente ou o mesmo - e 40 anos depois o fundamental para que os cidadãos voltem a acreditar que vale a pena votar é que as eleições permitam escolher entre diferenças", disse.
Por isso, "que ninguém peça ao PS compromissos, consensos ou conciliação com a política que quer mudar".
"Pedimos ao povo o mandato de podermos mudar a atual política e virar a página da austeridade. É essa a mudança que é necessária e que queremos fazer", vincou, recebendo muitas palmas.
O secretário-geral do PS invocou também a Constituição para salientar que ao Presidente da República não cabe formular programas políticos, mas fazer cumprir a lei fundamental, função que disse ter sido recordada recentemente "pelos piores motivos".
"O Presidente da República tem uma função bem definida de representação da Nação e, como dizia Mário Soares - exemplo dos exemplos da forma como se exerce o mandato presidencial -, deve ser o Presidente de todos os portugueses, olhando para os problemas do país com isenção e de uma forma inspiradora - e não podendo deixar de olhar para o país de hoje sem compreender que o problema central é o desemprego e o da pobreza. Quando se faz a avaliação do país, esses têm de ser os dois problemas centrais colocados na agenda do dia", disse.
“A Constituição não apenas garantiu a liberdade e organizou de forma democrática o poder político, mas, igualmente, consagrou o Estado social de direito em Portugal, com um conteúdo bem preciso e densificado", sustentou.
Na sua intervenção, António Costa referiu também as mudanças de percurso operadas em muitos dos partidos políticos ao longo dos últimos 41 anos de democracia, apontando que "alguns daqueles que combateram a Assembleia Constituinte são hoje dos maiores defensores da Constituição".
 "Alguns daqueles que então aprovaram a Constituição da República revelaram-se nos últimos anos dos maiores inimigos da Constituição. Mas nesta mudança há algo que permanece firme, que é a identidade do PS. Da mesma forma como então nos batemos pela liberdade e pela consolidação da democracia, também nos batemos hoje pela defesa do Estado social como garantia fundamental do Portugal de Abril e do Portugal do futuro", afirmou.
A Assembleia Constituinte foi eleita a 25 de abril de 1975 tendo como missão a elaboração da nova Constituição, texto que ainda vigora com as alterações introduzidas pelas sete revisões constitucionais.
(www.ps.pt)

sábado, 25 de abril de 2015

AR: Sessão comemorativa do 25 de abril || Miranda Calha, deputado constituinte, interveio em nome do PS

LUSA 2015.04.25 - O deputado socialista Miranda Calha fez hoje uma veemente defesa do "primado da política" perante "extremismos populistas" e a "economia especulativa" e sustentou que a substância democrática da Constituição será "confirmada" nas próximas eleições legislativas e presidenciais.
Miranda Calha, vice-presidente da Assembleia da República e deputado da Assembleia Constituinte eleita em 1975, falava no parlamento na sessão solene comemorativa dos 41 anos da revolução de 25 de Abril de 1974.
"Porque o primado da política, num tempo em que extremismos populistas ameaçam a Europa e em que a crise económica leva a desilusões sem retorno, é cada vez mais necessário. O primado da política enquanto primado da escolha e da decisão, mas de uma escolha clarividente e informada, da escolha de uma estratégia e de ideias sólidas para o futuro e não uma escolha por entre taticismos breves e sem conteúdo", declarou o antigo secretário de Estado de governos liderados por Mário Soares e António Guterres.
Na sua intervenção, Miranda Calha advogou "a substância democrática da Constituição que em breve será confirmada em duas importantes eleições, as legislativas e presidenciais".
"Para muitos há uma angústia sobre a hora presente e até para outros há uma perplexidade sobre as soluções futuras. É bom que ambas possam ser objeto de debate apropriado e ao longo deste ano e que as candidaturas e os candidatos apareçam perante o país com a clareza de objetivos que a situação requer", disse, antes de salientar que a Constituição da República também já "ensinou que um parlamento esclarecido e empenhado pode ser resposta a grandes desafios".
Além de recordar a experiência da sua eleição para a Assembleia Constituinte em abril de 1975, pelo círculo eleitoral de Portugal, então apenas com 27 anos, Miranda Calha saudou de forma especial os militares que "devolveram ao povo uma soberania adiada pela ditadura" e os líderes dos principais partidos no pós-25 de Abril, casos de Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Freitas do Amaral.
Mas Miranda Calha também recebeu uma salva de palmas ao destacar "o alto sentido cívico" do presidente da Assembleia Constituinte, o socialista Henrique de Barros, que "ficará para sempre ligado à História do parlamentarismo, da democracia e da República".
No seu discurso, o atual vice-presidente da Assembleia da República referiu-se ainda aos conflitos entre diferentes modelos políticos que se colocaram ao país antes e logo após as primeiras eleições livres.
"No caminho da Constituição foi necessário ultrapassar seduções antidemocráticas. Foi necessário afirmar sem medo o primado do direito e da escolha livre do povo, um primado, mais do que retórico, que pudesse finalmente ser experimentado em liberdade. O que se fez", salientou.
Na mesma lógica de análise, Miranda Calha aplicou depois a ideia de primado às ideias atuais de Estado, soberania nacional e de "desígnios futuros".
Uma ideia "onde a economia não estivesse enfeudada a alguns, mas fosse um espaço de iniciativa e de desenvolvimento".
"Quatro décadas passadas das primeiras eleições livres, vemos como estamos enredados em ciclos curtos de circunstancialismos e de conjuntura. Vemos como o desemprego marca hoje gerações feitas esquecimento e empurradas para a emigração ou para o silêncio e para a dependência. Vemos como a submissão a uma economia especulativa (…) cria pobreza à sua volta", afirmou.

Numa crítica indireta ao Governo, Miranda Calha concluiu: "É caso para dizer que falhar perante o país é garante apenas de promessas de novas falhas, sem arrependimento e sem crítica", disse.

41 anos do 25 de abril || 40 anos da assembleia constituinte


No dia 25 de abril de 1975 tiveram lugar as primeiras eleições livres em Portugal. A missão da assembleia eleita seria a de aprovar a lei fundamental do país: a Constituição da República Portuguesa.

O Partido Socialista presta homenageia, hoje 25 de abril, aos deputados socialistas que foram eleitos para a assembleia constituinte, nas eleições de 25 de abril de 1975. O secretário-geral entregará aos presentes uma medalha, da autoria do escultor portuense José Rodrigues, que assinala a data.

O evento faz parte das comemorações que o partido está a levar a efeito sob a sigla 19/25, assinalando o 42º aniversário do partido (dia 19 de Abril), o 41º aniversário do 25 de Abril e o 40º aniversário das eleições constituintes, ganhas pelo Partido Socialista.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sobre a proposta macroeconómica do PS, Manuela Ferreira Leite dixit: Séria, honesta e credível!



"Séria, honesta e credível". É desta forma que Manuela Ferreira Leite adjetiva a proposta do grupo de trabalho socialista, que foi apresentada esta semana, e que considera uma «alternativa» às medidas do Governo e à austeridade.
Para a comentadora da TVI 24, o documento foi subscrito por pessoas "de uma independência indiscutível" e "conhecedoras das matérias" e, portanto, merece ser discutido com "atenção e ponderação".
"A grande valia é constituir uma verdadeira alternativa e acabarmos de vez com a ideia de via única. Gostaria que fosse a base para, genuinamente e seriamente, se discutir o que está bem, o que está mal, o que tem de ser ajustado…"
Ferreira Leite, que admitiu discordar de "muitas medidas" que constam no documento, com destaque para a redução da TSU, elogiou sobretudo a "preocupação com o crescimento", como tem defendido.
"Já não há ninguém que defenda que a austeridade só por si é suscetível de resolver os problemas dos países em dificuldades".
A ex-líder do PSD lamentou que a reação da maioria tenha sido "na base do desprezo", alegando que a proposta "não é credível", ou ameaçando que "vem lá outra vez a troika".
"É um papão e um susto que se quer lançar e que não tem base. Tenho pena se isto não servir de base a uma discussão e análise".

[opinião] O que falta para cumprir abril?

Cumprir abril deve ser um objetivo que não nos deve nunca abandonar! Ainda me lembro bem dos desígnios de então, dos objetivos maiores que nortearam os militares nesse abril de 1974, para libertarem um povo amordaçado por 48 anos de ditadura.
E se tantos objetivos se cumpriram, se tantos fizeram e fazem parte, hoje, do nosso quotidiano, do nosso viver, há tantos outros que têm vindo a sofrer uma grande regressão, e mesmo ameaça, nestes últimos tempos.
É verdade que, 41 anos volvidos, muita coisa mudou em Portugal e muito mudou no mundo. Que conseguimos avanços significativos em tantos e tantos aspetos da nossa vida coletiva. Mas é igualmente uma evidência, que estamos confrontados com opções políticas que estão a dar resultados sociais e económicos desastrosos para os portugueses.
Ora, o que isto quer dizer é que hoje como ontem não nos podemos resignar.
Não nos podemos resignar à inevitabilidade de termos 35% de desemprego jovem e ao facto de termos milhares de jovens a quem mais não resta do que estágios, trabalhos não remunerados ou o estrangeiro como destino.
Não podemos aceitar que uma chanceler diga aos quatro ventos que temos licenciados a mais em Portugal, quando na realidade o que temos são licenciados a menos (17,6%). Muito menos do que a Alemanha (25,1%) e muito menos do que a média da União Europeia (25,3%).
Temos que dizer da nossa profunda preocupação quando 8.000 estudantes do ensino superior abandonaram os seus cursos ao fim do primeiro ano de matrícula por dificuldades financeiras.
Não nos podemos render a ter 63% de população entre os 25 e os 64 anos que não concluíram o 12º ano, colocando-nos, nesta matéria, na cauda da Europa.
Não podemos estar de acordo quando 40% dos portugueses, dos nossos concidadãos, não consegue fazer face às despesas de saúde e quando um em cada cinco portugueses deixou de ir ao médico por problemas monetários.
Temos que nos indignar quando 20% dos portugueses estão em risco de ser atingidos pela pobreza e quando esta pobreza ainda é mais agravada na faixa etária das crianças e jovens, onde atinge 25,6%.
Não podemos aceitar os atuais níveis de emigração, mais de 300.000 nos últimos anos, semelhantes aos números de emigrantes dos anos 60 do século passado com a sangria que isso significa nas faixas etárias mais ativas e empreendedoras da nossa população.
Quer isto dizer que nós nunca devemos “baixar a guarda”, que não nos podemos resignar face às dificuldades e perceber que abril, que a melhoria da qualidade de vida dos portugueses, que o combate ao fosso entre os mais ricos e os mais pobres, nunca pode deixar de ser e de estar no centro das nossas prioridades enquanto cidadãos.
E é aqui que entra a avaliação das políticas e as opções políticas a fazer para o futuro!
Acácio Pinto
Diário de Viseu

quinta-feira, 23 de abril de 2015

No parlamento: Café literário, a política e a literatura, no dia internacional do livro

No dia internacional do livro, 23 de abril, participei na iniciativa da presidente da assembleia da república "café literário" sob o tema "a política e a literatura" e que reuniu outros deputados escritores: Ribeiro e Castro, Maria de Belém Roseira, João Lobo, Miguel Tiago e Cecília Honório.
Excelente iniciativa que teve como moderadora a jornalista Maria Flor Pedroso, a presença especial de Maria de Jesus Barroso e, em substituição da presidente da assembleia da República, Abel Baptista, presidente da comissão de educação ciência e cultura.
Foi com especial prazer que participei neste evento e falei dos meus livros e da fase final da ditadura, quando me iniciei, mais intensamente, na leitura de livros, alguns censurados e a partir daí "tomei o gosto" pela escrita!



António Costa participou na reunião do grupo parlamentar do PS


Depois da comissão política de dia 22 de abril, realizada na sede do PS, presidida por António Costa, em que participei e onde foi analisada a grave situação política que o país atravessa fruto da desastrada e desastrosa governação do PSD e do CDS, com fortes impactos negativos na vida dos portugueses, foi a vez de hoje, dia 23 de abril, o secretário-geral participar na reunião do grupo parlamentar do PS, na assembleia da república.
Em ambas as reuniões esteve em cima da mesa o cenário macroeconómico e a linha da proposta política traçada pela equipa de economistas e quer numa quer na outra reunião o relatório produzido mereceu uma avaliação muito positiva por parte dos intervenientes.
Ou seja, fica claro a partir de agora, para aqueles que o não queriam admitir, que há uma via alternativa à da austeridade do governo, que há uma via de crescimento e emprego, uma via de desenvolvimento sustentado para Portugal, uma via de esperança.
O PS está no centro do debate e com propostas de futuro.

Da direita, mesmo antes de lerem o relatório, vem muito nervosismo, o que não deixa de ser um bom sinal!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Viseenses de visita ao parlamento

Eu, a Elza Pais e o José Junqueiro, tivemos a oportunidade de receber, na assembleia da república, no dia 22 de abril, a visita do Rui Santos, da Graça Abrantes, do Otávio Soares e da Manuela Soares, conterrâneos nossos do distrito de Viseu.
Foi para nós um grato prazer ter podido efetuar com estes nossos amigos e conterrâneos uma visita ao palácio de são Bento, nomeadamente à biblioteca, ao plenário, aos passos perdidos, à sala do senado, ao salão nobre, à varanda principal e ao refeitório dos frades.
No final da visita assistiram, das galerias, ao debate em curso no plenário sobre o programa de estabilidade e programa nacional de reformas.
Obrigado pela visita. Felicidades.